Tirando os sentimentos da gaveta

Escrevi este texto há mais ou menos duas semanas, já sabia, portanto, que iria participar do Estaleiro Liberdade, mas não imaginava a força que os momentos com o grupo fariam sobre mim. Talvez a coisa mais importante que aprendi nessa primeira semana, foi a importância de compartilharmos os nossos sentimentos, e justamente por isso estou tirando o que sinto da gaveta e dividindo com vocês.

Sempre me considerei um cara normal, talvez até demais. Nunca entendi muito bem aquelas pessoas com crises existenciais, que não sabem direito o que gostam e o querem. Pra mim sempre foi fácil: eu sempre soube onde eu deveria chegar e o que deveria fazer para chegar lá.

Sempre soube que deveria estudar bastante no colégio para passar no vestibular e entrar na universidade. Na faculdade sempre soube que deveria logo buscar um estágio em uma multinacional que me oferecesse um bom salário, certo status, plano de carreira e possibilidade de ascensão hierárquica. Deveria então permanecer nesta empresa até que outra viesse e me oferecesse mais dinheiro e assim por diante.

E foi basicamente isso que eu fiz, tirando a parte de ganhar muito dinheiro.

Nesse último mês, porém, eu conheci uma galera diferente, que trabalha com paixão, que ama o que faz, que engaja comunidades em busca de um propósito…
Essa galera, que já fez vários projetos super conhecidos e de alto impacto como a plataforma de crowdfunding Catarse e o Meu Rio, me fez pensar até que ponto vale a pena passarmos a vida inteira trabalhando em empresas sem propósito, buscando dinheiro no trabalho para viver fora dele quando na verdade cada um de nós só tem uma vida.

Me dei conta que apesar de a vida minha inteira eu saber onde deveria chegar, nunca me questionei se eu queria realmente chegar neste lugar.  Comecei a pensar até que ponto esse lugar que eu queria chegar era meu e o quanto era dos outros, o quanto os outros me direcionavam pra isso e eu apenas me deixava levar.

Esses questionamentos que começo a me fazer, mesmo sendo pessoais, tenho certeza que também são o sentimento de várias outras pessoas que chegam em certa fase da vida (que pode ser aos 15 ou aos 80) e  param para pensar na seguinte questão: “isto que eu estou fazendo da minha vida faz sentido?”