Depoimento de um pirata.

“O que é ser um marujo?”, “O que é ser um pirata?”, “O que é o Estaleiro Liberdade?”, as pessoas me perguntam. Talvez ninguém tenha conseguido encontrar uma só simples resposta, curta e direta, para essas perguntas. Mesmo aquelas pessoas tenham encontrado, com certeza as suas respostas se diferenciam em algum ponto – afinal, cada um tem uma experiência singular durante essa jornada. Mas eu me sinto muito feliz em poder dizer: não preciso mais de uma resposta objetiva para essas perguntas. Me sinto contemplado em poder brincar com uma resposta metafórica e poética para essas perguntas, e deixar que cada um interprete de sua própria maneira.

“O Estaleiro Liberdade é uma escola para quem quer livre”. Sim, ela é – e essa é a sua mais profunda essência. Mas por que então “Estaleiro”? E por que “marujos”? “Pirata”, como assim?

Estaleiro é o lugar onde se constroem, modificam ou se consertam navios. Os piratas, donos de seus navios e grandes desbravadores do mar, contavam com uma tripulação de marujos para fazer com que o navio, de fato, navegasse.

Essa metáfora nada mais é do que um retrato da nossa própria vida.

O navio é o nosso poder de escolha e o mar é o imenso fluxo da vida. Nós somos como navios jogados ao mar, um imenso fluxo, que parece não ter direção ou fim, só um deslumbrante horizonte. Mas, mesmo dentro dessa imensidão, nós podemos tomar algumas escolhas. Uma delas é: qual bússola você tem usado para navegar?

Uma das histórias mais queridas do cinema, o Piratas do Caribe tem uma mensagem muito verdadeira que é passada pela história – mais querida ainda – do Capitão Jack Sparrow e sua bússola sem Norte. Para quem não conhece, a história é muito simples: a bússola do Capitão Jack Sparrow não tem Norte. Ela gira, gira, gira, mas nunca aponta para o Norte geográfico.

“- Sua bússola está quebrada: não tem Norte!, é o que todos dizem ao tentar utilizá-la.

– Quem disse que eu quero ir para o Norte? Esta é uma bússola muito especial: ela só aponta na direção dos seus mais profundos desejos, para o que você mais quer no mundo!, diz Jack.”

A história da bússola sem Norte é uma metáfora para a descoberta de nossos próprios desejos e intenções. Na vida, é muito mais fácil te presentearem com bússolas com Norte, Sul, Leste e Oeste. Elas te dirão com muita simplicidade qual caminho você deve seguir. E, de fato, é um caminho simples. Simples até demais. Ele é seguro, provavelmente é o que te oferecerá menos marés ou tempestades pela frente, pois é um caminho já trilhado e mapeado por muitos. Mas, por mais seguro esse caminho possa ser, ele não é o seu caminho.

O seu caminho ou propósito de vida não tem um Norte, nem qualquer outra direção pré-determinada. Nossos desejos são apenas nossos e seguem um fluxo natural interno, que muitos chamam de felicidade e esta não pode ser geograficamente encontrada.

“Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”

Gandhi

Desviar desse fluxo e optar por um caminho imposto a você – ou que te pareceria mais seguro – pode lhe trazer sentimentos muito piores do que as marés e tempestades que viriam com a escolha de um caminho próprio, como: arrependimento, desgosto e o constante sentimento de que você está levando uma vida que não é sua.

“Quando nos deixamos guiar pela felicidade, entramos em um caminho que sempre esteve ali, à nossa espera, e começamos a viver exatamente a vida que deveríamos estar vivendo. “

“Encontre a paixão da sua vida e siga-a, siga o caminho que não é caminho. Quando tiver essa sensação, fique aí e não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar. Portas se abrirão onde antes não haviam portas e você sequer imaginava que pudessem haver.  Tem uma teoria: se você estiver seguindo seu próprio caminho, as coisas virão até você. Como é seu próprio caminho, e ninguém o percorreu antes, não existe um precedente; logo, tudo que acontece é uma surpresa, e na hora certa.”

Joseph Campbell

E aí que surge a metáfora da passagem de um Marujo para Pirata, que o Estaleiro Liberdade nos passa. É a passagem daquele que decidiu experimentar tomar conta do seu navio, para aquele que tem a consciência de que ele é livre para ser o dono de seu próprio navio – que nada mais é que a sua própria vida. O pirata é o responsável pelo rumo que seu barco está traçando. E o Estaleiro é aonde nós levamos o nosso barco para construir uma escolha: eu tenho a liberdade para ser o responsável pelo o meu próprio navegar.

Hoje eu tenho a plena consciência de que eu sou livre para ser o empreendedor da minha própria vida, o piloto do meu próprio barco. Não precisamos que outras pessoas escolham qual caminho nós vamos traçar rota; o poder de escolha é sempre seu. Basta uma bússola sem Norte, um chapéu de pirata e um Estaleiro, aonde eu possa reencontrar uma multidão de amigos piratas e marujos, e trocar aprendizados sobre como navegar pela imensidão que é o oceano da nossa vida.