Abro os olhos e enxergo os tons. De repente.

De repente.
Foi de repente que meus olhos estalaram.
Aquilo que parecia tão óbvio.
Nem tão óbvio assim era.
Eu precisava “só” enxergar.
Do instante entre uma brincadeira de cores até a escuta ativa de uma conversa.
Bastou esse instante.
Meus olhos começam a brilhar.
Quanto eu posso mudar ou perceber que algo mudou em mim assim?
Assim tão de repente.
Quanto é tênue o saber o que se quer e o que se acha que se quer?
Estou com outros olhos.
De repente.
Entendi que eu não preciso entender.
Ainda. Nunca. Jamais!
Quanto é fino o fio que separa o “eu sei fazer” do “eu gosto de fazer”?
Do “eu tenho que ser” do “eu quero ser”?
Do “eu não vou conseguir” do “eu vou tentar”?
E tão de repente.
Tantas perguntas. Que não respondem nada. Mas que dizem tudo.
Meus olhos agora buscam pistas novas.
O que estava oculto?
Sempre esteve.
Ganhei novos olhos.
Tão mais cheio de aquarelas.
Assim. De repente.
Num piscar.
Agora sim.
Consigo avistar do meu barco.
Os tantos tons azuis e amarelos e rosas e laranjas e verdes (e…) do mar.
Para abrir os olhos, é preciso se permitir. Assim, quando de repente acontecer.

(Relatos sobre um 10 de abril, de olhos mais atentos e poéticos)